Guia Alimentar para o Diabético - (''A gravidez na mulher com diabetes'')
2 de Junho de 2005

 

Tópico:
A associação da gravidez na diabética implica em programar a gestação para uma época em que o estado clínico esteja estável e as glicemias estejam normais.

Quando pensamos na gestação incidindo numa mulher portadora de diabetes, duas grandes dúvidas logo nos vêm à mente:

* Será que a gravidez trará algum risco para a mulher? * Será que a gravidez trará algum dano para o bebê?

Estas realmente são as duas grandes preocupações das mulheres com diabetes e de suas famílias, bem como as nossas, os médicos que as irão acompanhar.

Para esclarecer estes pontos, iniciaremos tratando dos riscos para mulher com diabetes.

Riscos para a mulher
A mulher com diabetes, se quiser engravidar, necessita conhecer inicialmente o grau de comprometimento que a doença possa lhe ter acometido, isto é, independente do tipo de diabetes e do tempo de evolução da doença, é importante saber se existe hipertensão arterial, diminuição da função renal ou alterações no fundo do olho. Em caso negativo, os riscos de complicação materna são muito baixos, cabendo então a orientação de que a mulher compense suas glicemias e, quando normais - com a hemoglobina glicosilada dentro dos padrões esperados - podemos liberá-la para a gravidez.

Em caso de existirem comprometimentos do tipo hipertensão, é necessária sua compensação com medicamentos que possam ser utilizados na gravidez e, uma vez estabilizada e compensadas as glicemias, poderá engravidar.

Quanto às complicações retinianas, é importante o acompanhamento e avaliação com o oftalmologista quanto à melhor hora para liberar a gravidez.

Em relação àquelas mulheres que apresentam alterações renais, cada caso deverá ser individualizado, pois como a gestação exige um aumento importante da função renal, poderá agravar ainda mais as lesões que porventura já existam. Talvez esta seja a complicação que mais tenderia a comprometer a saúde da mulher durante a gravidez.

Assim exposto, quase a maioria das mulheres com diabetes, poderiam, à priori, engravidar, sendo fundamental que mantenham suas glicemias dentro dos padrões de normalidade antes de permitirem que ocorra a gestação.

Riscos para o bebê
Quanto ao segundo questionamento, isto é, relacionado ao bem estar do bebê, é importante entendermos um pouco a fisiologia da gravidez normal e, a partir daí, poder entender o que ocorreria numa situação de diabetes descompensado.

Numa grávida não diabética (com glicemias normais), existe uma passagem facilitada de glicose da mãe para o bebê, glicose esta importante para o metabolismo normal do feto.

Na situação de uma mulher com diabetes e que esteja com glicemias altas, este excesso de glicose também se transmite para o feto que, sendo normal, irá desencadear uma produção aumentada de insulina. Esse excesso irá desenvolver uma série de complicações para sua vida intra-uterina e extra-uterina.

Dentre estas complicações, as mais freqüentes seriam:

* macrossomia (crianças com peso grande, maior de 4.000 g); * hipoglicemia (falta de glicose no sangue); * desconforto respiratório no berçário.

Além destas, existem outras mais que pode levar inclusive à morte no útero ou no berçário, além de um risco aumentado de ter malformações.

É importante frisar que todas estas complicações citadas são freqüentes, porém sempre vinculadas a um estado metabólico materno não compensado.

Cuidados principais
Para que a mulher portadora de diabetes tenha uma gravidez sem estas complicações, ela deve:

* engravidar compensada; * seguir corretamente a dieta; * usar a insulina conforme prescrito; * manter suas glicemias dentro dos parâmetros de normalidade (glicemias de jejum abaixo de 90 e após as refeições abaixo de 120).

Com este cuidados, ela não irá apresentar complicações, podendo ter seu bebê normalmente.

Assim sendo, a associação gravidez na diabética implica em programar a gestação para uma época em que o estado clínico esteja estável e as glicemias estejam normais. Além de manter uma dieta hipocalórica (de 1800 a 2000cal/dia), balanceada e fracionada, com ajustes das doses de insulina. Além disso, buscar um controle rigoroso das glicemias, com automonitorização e uma boa assistência obstétrica, permitirá que a mulher tenha uma gravidez saudável e possa ter seu filho, no termo da gravidez, completamente normal.

Para a tranqüilidade das mulheres com diabetes e suas famílias, este tipo de controle é perfeitamente factível e embora pareça difícil, é atingível por quase todas as pacientes.

Procure o especialista para ajudá-la a se preparar para a gravidez e se permita à realização do grande sonho de muitas mulheres: a maternidade.

* Prof. Dr. MAURO SANCOVSKI
Chefe de Clínica Obstétrica da Faculdade de medicina do ABC. Coordenador da Residência Médica em Obstetrícia do SUS - Hospital Maternidade Interlagos - Peróla Bayton. Membro Consultivo ANAD – Fenad

Saúde das Mulheres

 

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