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“Ser mãe, a mais
bela e grandiosa experiência de minha vida...”
“Em quinze de
fevereiro de 2002, tomou-se concreto um sonho, que há algum
tempo, morava em meu peito.
Por volta das
2:30h da madrugada, tive os primeiros sinais. Já internada, numa
tentativa de segurar um pouco mais o bebê, percebi que ele não
esperaria mais, pois no rompimento da bolsa, uma semana antes,
todo o líquido escorrera, deixando-o sem condições de permanecer
no útero. Meu bebê estava chegando. Levada às pressas para a
sala de parto, lembro-me bem do alerta que recebi:
"-Mãe, as chances
são poucas..."
Além de
prematuridade extrema, havia também um prolapso de cordão. Seria
feita uma cirurgia de emergência. O Dr. Antônio, parecia não ter
esperança de sucesso, porém, o coraçãozinho do bebê estava
batendo. Apeguei-me a isto e disse ao médico que: “-Eles seriam
muito auxiliados” e tentei assim dizer, a mim mesma, que tudo
daria certo...
Naquele momento,
também recebi ajuda. No papel de uma mãe, uma enfermeira
aproximou-se e carinhosamente juntou seu rosto ao meu
transmitindo-me forças. Sou grata à enfermeira Jaci Fátima do
Centro Obstétrico pelo gesto que confortou-me fazendo com que
não me sentisse sozinha naquele momento.
Meu bebê chegou às
3:25h, e como já era esperado, não ouvi seu chorinho, mas
observei que fora levado para a UTI. Parecia que minhas emoções
também estavam anestesiadas no momento quando o Dr. Antônio,
antes de ir embora, passou na sala de recuperação e disse que
meu filhinho estava respirando e dando "pulos" na UTI. Aí sim as
lágrimas rolaram e eu agradeci muito a Deus pois minhas
esperanças se renovavam.
Sem conseguir
dormir, apesar dos medicamentos, aguardei ansiosa a oportunidade
de estar com ele. A emoção foi muito forte, ver meu bebê amado,
tão pequeno e frágil dentro da isolete, entubado e lutando tanto
para viver. Mexeu demais comigo. Por muito tempo chorei, pois
não sabia como seria sua evolução e a idéia de perdê-lo já era
insuportável.
Cada dia
tornava-se uma conquista. Passei a comemorar cada ml (mililitro)
de leite aumentado, cada grama adquirida, como também sofri
vendo o desconforto com os aparelhos para respiração e com as
ameaças das infecções. Os médicos precisavam ser claros e sempre
alertavam que apesar das boas evoluções, tratava-se de um bebê
prematuro e o quadro do dia seguinte costuma ser imprevisível.
Desta forma,
passei a viver entre a insegurança e a esperança, meu emocional
oscilando constantemente: num dia super feliz, no outro
arrasada, porém buscando forças do "alto", pois meu filho
precisava de toda energia positiva que eu pudesse lhe
transmitir. Apesar de muitas vezes fragilizada, em cada toque
através da isolete, eu o dizia o quanto o amava e que ele veio
para ficar, e que contasse sempre comigo.
Palavras de
consolo e incentivo não me faltaram, além da família, havia
sempre uma auxiliar ou uma mãe relatando uma experiência,
lembrando-me que a fé deveria permanecer inabalável, por mais
difícil que parecia aquela situação.
Desde o início fui
convidada a ser uma “Mãe Canguru”. Foi-me explicado que poderia
conversar, tocar e cantar e isto diariamente eu fazia. Com 20
dias de nascido, meu pequeno Gabriel já estava mais resistente e
foi então que pela primeira vez Gabriel foi colocado em “Posição
Canguru”. Ao lado da incubadora, recebi meu bebê nos braços pela
primeira vez. Sua pele encostada a minha, seu coraçãozinho
batendo, sua respiração, era como se ele estivesse nascido
naquele instante. Este contato direto com meu filhinho foi o
momento mais lindo que já vivi. Não vou e nem quero esquecer
nunca.
Melhor informada
sobre o “Programa Mãe Canguru”, descobri que faria o papel de
uma incubadora e além do calor passaria tranqüilidade, pois ele
se sentiria novamente em "casa" ao ouvir os sons de meus órgãos
e de minha voz, e desta forma, se desenvolveria mais rápido.
Desde então, a hora do "Canguru" passou a ser a hora mais
esperada e feliz do dia para mim. Ambos ganhamos numa troca de
amor e tranqüilidade.
Hoje, meu
"canguruzinho" está mais forte, tem progredido muito, embora
ainda com alguns obstáculos devido a prematuridade. Gabriel
cresce saudável, comunicativo, cheio de graça e com um rostinho
que encanta a todos. Ao vê-lo brincando e se desenvolvendo tão
bem, reforço ainda mais a certeza de que com amor, dedicação e
fé em Deus nos tornamos fortes e capazes de superar as mais
difíceis barreiras.
Passado três anos,
ainda me emociona as lembranças daqueles momentos onde dor e
alegria dividia o espaço em meu peito. Um menino lindo! Meu
maior sonho realizado!
Num largo sorriso,
Gabriel me diz: “Mamãe eu te amo! Pergunta-me: Você está feliz?”
E como não podia ser diferente respondo: “Sim, muito, muito,
muito feliz!”.
Algum dia contarei
esta história ao Gabriel. Falarei também da sorte que tivemos ao
encontrar muitos profissionais que exercem com amor a profissão
que abraçaram.
A toda equipe do
Hospital Maternidade Interlagos, minha eterna consideração”.
TÂNIA MAGALI
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