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Unidade, referência do setor, tem como meta atender neste ano
750 casais que procuram auxílio médico gratuito para ter filhos
Desde que se
casaram, há sete anos, o cobrador externo de veículos João
Henrique Macedo Bitencourt e a bancária Lisandra Alanis
Ferreira, ambos com 34 anos, sonhavam ter um filho. No entanto,
durante os exames pré-nupciais, o médico constatou que a mulher
tinha ovários policísticos e o marido, baixa quantidade de
espermatozóides, o que os impossibilitava de concretizar o
objetivo. A opção seria procurar uma clínica particular para
inseminação artificial, ao custo de até R$ 20 mil por tentativa.
“Não tínhamos condições financeiras de pagar esse valor”, diz
Lisandra. Por indicação de um médico, em 2002 decidiram procurar
ajuda no Centro de Referência da Saúde da Mulher, mais conhecido
como Hospital Pérola Byington, na zona central da cidade de São
Paulo. A unidade é referência da América Latina em reprodução
assistida.
A equipe do
hospital realizou exames para triagem do caso e forneceu senha
para que aguardassem o atendimento, que ocorre por ordem de
chegada. Dois mil casais estão à espera. Em abril do ano
passado, Henrique e Lisandra foram convocados para o tratamento.
Após vários exames, os médicos do Pérola Byington optaram por
técnica de reprodução de alta complexidade, chamada injeção
intracitoplasmática (ICSI). Nesse caso, a fertilização do
embrião não ocorre no corpo da mulher, mas em laboratório
especializado.
No dia 8 de
dezembro, ocorreu a inseminação no útero da mulher. Quinze dias
depois, o exame confirmou sua gravidez. Lisandra recebeu alta do
hospital e faz pré-natal com médico particular. “A cada fase do
tratamento era uma alegria para nós. Agora, com 14 semanas de
gestação, nós dois estamos bobos”, comemora a futura mamãe. O
nascimento está previsto para até 31 de agosto. “Só temos a
agradecer o atendimento no Pérola Byington. Agradecemos muito
pela ajuda”.
A partir deste
ano, a boa notícia beneficiará mais famílias. Isso porque a
Secretaria de Estado da Saúde injetará mais recursos na área de
reprodução: a verba anual de R$ 600 mil saltou para R$ 2 milhões
(R$ 1 milhão já repassado). A proposta é triplicar o serviço. Em
2005, a unidade assistiu a 250 casais. “Nosso pessoal é
suficiente para recepcionar 750 casais. O investimento será
destinado à compra de medicamentos e insumos
médico-hospitalares”, informa a pediatra e sanitarista Zeni Rose
Toloi, diretora do Pérola Byington.
Direito ao
tratamento
O ginecologista
Mario Cavagna, diretor da Divisão de Reprodução Humana, afirma
que a infertilidade é uma agravante que interfere na saúde
emocional e psíquica do casal. “As pessoas têm o direito de
receber tratamento gratuito. Numa clínica particular gastariam
entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por tentativa. E quem não tem essa
quantia? Fica sem o direito de ter filhos? Acho fundamental que
se invista cada vez mais”, opina.
A equipe, de 25
profissionais, é composta de ginecologistas, médicos
embriologistas, biómédicos, estagiários de biomedicina,
enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais e funcionários
administrativos. Os 2 mil casais da fila serão atendidos
prioritariamente. A diretora comunica que a proposta é abrir,
mensalmente, 40 novas vagas para a espera. Interessados devem se
inscrever toda terceira quarta-feira de cada mês.
Podem participar
do programa mulheres de qualquer nível social sem limite de
idade, desde que estejam em idade fértil, em média até os 36
anos. “Aos 25 anos, as chances de gravidez são de 45% a 50%. Aos
38, cai para 15% a 20%. Acima de 40 anos, a pessoa tem apenas
10% de engravidar. Quanto mais jovem, melhores os resultados”,
informa o médico. Pacientes com problemas do coração,
transplantadas, portadores do vírus HIV, com hepatite B e C, e
pessoas que sofrem de doenças infecto-contagiosas ou renais
crônicas não podem realizar tratamento para reprodução
assistida, pois correriam risco de morte.
O ginecologista
diz que de 15% a 20% dos casais têm algum tipo de dificuldade
para engravidar: “Segundo a Organização Mundial da Saúde, 90
milhões de cônjuges no mundo têm problemas de fertilidade”.
Pioneirismo
O serviço de
reprodução do Pérola Byington recebe pessoas do Brasil e de
outros países da América do Sul. “Em outros Estados brasileiros
não há assistência pública semelhante e inteiramente gratuita.
Qualquer outro tratamento tem algum ônus para a paciente,
geralmente em medicamentos, que custam R$ 3 mil”, explica a
diretora. Ela avalia que mesmo com os novos investimentos, a
fila só acabará quando a medida for instalada em outros Estados.
Cavagna adverte que nem todas as mulheres que procuram a unidade
necessitam do tratamento de alta complexidade. Durante a triagem
inicial, os ginecologistas analisam o caso. Se os problemas de
infertilidade forem simples – como infecção no colo do útero ou
prostatite (inflamação na próstata) –, podem ser resolvidos com
medicamentos e orientações no próprio hospital.
A equipe indica as
técnicas de alta complexidade quando, por exemplo, a mulher tem
obstrução nas trompas uterinas, ou o órgão já foi laqueado. Se o
homem apresenta contagem muito baixa de espermatozóides, o
tratamento também é indicado, explica o diretor do serviço. A
partir do momento em que a pessoa é chamada, a média é de 45
dias para a possibilidade de gravidez. A mulher recebe alta,
geralmente, aos dois meses de gestação (oito semanas) e é
encaminhada para o pré-natal no serviço público ou médico
particular de sua preferência.
Tecnologia de
ponta
As técnicas de
reprodução assistida começaram na Inglaterra em 1978. “No
Brasil, temos tecnologia de ponta de alta qualidade. Não ficamos
nada a dever a clínica de nenhum lugar do mundo”, garante o
ginecologista. O Pérola Byington tem capacidade para realizar
853 consultas/mês de ginecologia em esterilidade, 23 em
andrologia (especialidade urológica que atende ao homem
infértil), 183 exames de ultra-som e 830 atendimentos de
enfermagem, além de procedimentos cirúrgicos e ambulatoriais. Há
laboratórios de manipulação de gametas, salas para controle de
ovulação, para coleta de sêmen, de ultra-sonografia e
administração de medicamentos, além de enfermagem e pequeno
centro cirúrgico.
SERVIÇO
Hospital Pérola
Byington - Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 683 – Bela Vista –
capital. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 7 às 16
horas. Tel. (11) 3104-2785
Viviane Gomes
Da Agência Imprensa Oficial |