Hospital Pérola Byington amplia serviço de reprodução assistida
17 de Março de 2006

 

Unidade, referência do setor, tem como meta atender neste ano 750 casais que procuram auxílio médico gratuito para ter filhos

Desde que se casaram, há sete anos, o cobrador externo de veículos João Henrique Macedo Bitencourt e a bancária Lisandra Alanis Ferreira, ambos com 34 anos, sonhavam ter um filho. No entanto, durante os exames pré-nupciais, o médico constatou que a mulher tinha ovários policísticos e o marido, baixa quantidade de espermatozóides, o que os impossibilitava de concretizar o objetivo. A opção seria procurar uma clínica particular para inseminação artificial, ao custo de até R$ 20 mil por tentativa. “Não tínhamos condições financeiras de pagar esse valor”, diz Lisandra. Por indicação de um médico, em 2002 decidiram procurar ajuda no Centro de Referência da Saúde da Mulher, mais conhecido como Hospital Pérola Byington, na zona central da cidade de São Paulo. A unidade é referência da América Latina em reprodução assistida.

A equipe do hospital realizou exames para triagem do caso e forneceu senha para que aguardassem o atendimento, que ocorre por ordem de chegada. Dois mil casais estão à espera. Em abril do ano passado, Henrique e Lisandra foram convocados para o tratamento. Após vários exames, os médicos do Pérola Byington optaram por técnica de reprodução de alta complexidade, chamada injeção intracitoplasmática (ICSI). Nesse caso, a fertilização do embrião não ocorre no corpo da mulher, mas em laboratório especializado.

No dia 8 de dezembro, ocorreu a inseminação no útero da mulher. Quinze dias depois, o exame confirmou sua gravidez. Lisandra recebeu alta do hospital e faz pré-natal com médico particular. “A cada fase do tratamento era uma alegria para nós. Agora, com 14 semanas de gestação, nós dois estamos bobos”, comemora a futura mamãe. O nascimento está previsto para até 31 de agosto. “Só temos a agradecer o atendimento no Pérola Byington. Agradecemos muito pela ajuda”.

A partir deste ano, a boa notícia beneficiará mais famílias. Isso porque a Secretaria de Estado da Saúde injetará mais recursos na área de reprodução: a verba anual de R$ 600 mil saltou para R$ 2 milhões (R$ 1 milhão já repassado). A proposta é triplicar o serviço. Em 2005, a unidade assistiu a 250 casais. “Nosso pessoal é suficiente para recepcionar 750 casais. O investimento será destinado à compra de medicamentos e insumos médico-hospitalares”, informa a pediatra e sanitarista Zeni Rose Toloi, diretora do Pérola Byington.

Direito ao tratamento

O ginecologista Mario Cavagna, diretor da Divisão de Reprodução Humana, afirma que a infertilidade é uma agravante que interfere na saúde emocional e psíquica do casal. “As pessoas têm o direito de receber tratamento gratuito. Numa clínica particular gastariam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por tentativa. E quem não tem essa quantia? Fica sem o direito de ter filhos? Acho fundamental que se invista cada vez mais”, opina.

A equipe, de 25 profissionais, é composta de ginecologistas, médicos embriologistas, biómédicos, estagiários de biomedicina, enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais e funcionários administrativos. Os 2 mil casais da fila serão atendidos prioritariamente. A diretora comunica que a proposta é abrir, mensalmente, 40 novas vagas para a espera. Interessados devem se inscrever toda terceira quarta-feira de cada mês.

Podem participar do programa mulheres de qualquer nível social sem limite de idade, desde que estejam em idade fértil, em média até os 36 anos. “Aos 25 anos, as chances de gravidez são de 45% a 50%. Aos 38, cai para 15% a 20%. Acima de 40 anos, a pessoa tem apenas 10% de engravidar. Quanto mais jovem, melhores os resultados”, informa o médico. Pacientes com problemas do coração, transplantadas, portadores do vírus HIV, com hepatite B e C, e pessoas que sofrem de doenças infecto-contagiosas ou renais crônicas não podem realizar tratamento para reprodução assistida, pois correriam risco de morte.

O ginecologista diz que de 15% a 20% dos casais têm algum tipo de dificuldade para engravidar: “Segundo a Organização Mundial da Saúde, 90 milhões de cônjuges no mundo têm problemas de fertilidade”.

Pioneirismo

O serviço de reprodução do Pérola Byington recebe pessoas do Brasil e de outros países da América do Sul. “Em outros Estados brasileiros não há assistência pública semelhante e inteiramente gratuita. Qualquer outro tratamento tem algum ônus para a paciente, geralmente em medicamentos, que custam R$ 3 mil”, explica a diretora. Ela avalia que mesmo com os novos investimentos, a fila só acabará quando a medida for instalada em outros Estados. Cavagna adverte que nem todas as mulheres que procuram a unidade necessitam do tratamento de alta complexidade. Durante a triagem inicial, os ginecologistas analisam o caso. Se os problemas de infertilidade forem simples – como infecção no colo do útero ou prostatite (inflamação na próstata) –, podem ser resolvidos com medicamentos e orientações no próprio hospital.

A equipe indica as técnicas de alta complexidade quando, por exemplo, a mulher tem obstrução nas trompas uterinas, ou o órgão já foi laqueado. Se o homem apresenta contagem muito baixa de espermatozóides, o tratamento também é indicado, explica o diretor do serviço. A partir do momento em que a pessoa é chamada, a média é de 45 dias para a possibilidade de gravidez. A mulher recebe alta, geralmente, aos dois meses de gestação (oito semanas) e é encaminhada para o pré-natal no serviço público ou médico particular de sua preferência.

Tecnologia de ponta

As técnicas de reprodução assistida começaram na Inglaterra em 1978. “No Brasil, temos tecnologia de ponta de alta qualidade. Não ficamos nada a dever a clínica de nenhum lugar do mundo”, garante o ginecologista. O Pérola Byington tem capacidade para realizar 853 consultas/mês de ginecologia em esterilidade, 23 em andrologia (especialidade urológica que atende ao homem infértil), 183 exames de ultra-som e 830 atendimentos de enfermagem, além de procedimentos cirúrgicos e ambulatoriais. Há laboratórios de manipulação de gametas, salas para controle de ovulação, para coleta de sêmen, de ultra-sonografia e administração de medicamentos, além de enfermagem e pequeno centro cirúrgico.

SERVIÇO

Hospital Pérola Byington - Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 683 – Bela Vista – capital. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 7 às 16 horas. Tel. (11) 3104-2785

Viviane Gomes
Da Agência Imprensa Oficial

 
 

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