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O Brasil tem o
maior consumo mundial per capita de remédios para emagrecer,
segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira em Viena pelo
escritório da ONU responsável pela fiscalização do controle
mundial anti-drogas
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Anfetaminas só podem ser compradas com receita médica |
De acordo com o
documento da Junta Internacional Fiscalizadora de Entorpecentes
(Jife), o uso de anfetaminas como supressores de apetite teve um
aumento considerável nos últimos anos em países como Brasil,
Austrália, Cingapura e Coréia do Sul, enquanto na Europa –
principalmente em Portugal, Dinamarca, Itália, Malta, Irlanda e
França – o consumo dessas substâncias teve uma redução.
Pela lei
brasileira, remédios para emagrecer à base de anfetamina somente
podem ser vendidos mediante receita médica, mas especialistas
advertem sobre a venda indiscriminada em farmácias e também para
a fabricação dessas substâncias ilegalmente em laboratórios
clandestinos. O uso contínuo de anfetaminas pode levar à
dependência.
O relatório da ONU
indica que o consumo per capita dos remédios para emagrecer, ou
anoréxicos, no Brasil chegou a 9,1 doses diárias por mil
habitantes no período entre 2002 e 2004 – um aumento de mais de
20% em relação ao período de 1992 a 1994.
Outros países com
alto consumo de remédios para emagrecer, segundo o documento,
são os Estados Unidos (7,7 doses diárias por mil habitantes),
Argentina (6,7 doses diárias por mil habitantes) e Coréia do Sul
e Cingapura (ambos com 6,4 doses diárias por mil habitantes).
Medidas de
controle
A Argentina,
porém, é citada ao lado do Chile como exemplo de países que
adotaram medidas efetivas de controle sobre a venda e o uso
inapropriado de estimulantes para redução do apetite.
Segundo o
relatório, a Argentina conseguiu reduzir o consumo geral de
estimulantes de 11 doses diárias por mil habitantes, no período
entre 1992 e 1994, para 5 entre 2002 e 2004. A redução
verificada no Chile é ainda mais acentuada – de 12,5 para menos
de uma dose diária por mil habitantes entre os dois períodos.
Segundo o Cebrid
(Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas),
ligado à Universidade Federal de São Paulo, o uso contínuo de
anfetaminas, além de provocar perda de peso acentuada, leva a um
aumento permanente na pressão sangüínea.
Além disso,
segundo o Cebrid, os efeitos psicológicos do uso continuado
incluem agressividade, irritação, paranóia, confusão de
pensamento, compulsividade e, em casos extremos, esquizofrenia.
Além do uso como
supressores do apetite, as anfetaminas também são receitadas em
casos de narcolepsia (sono exagerado) ou para crianças com
desordem de déficit de atenção.
Rogerio Wassermann |