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A
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo inaugurou ontem o
novo banco de leite humano do Hospital Maternidade Interlagos,
um dia após o encerramento da 12a. Semana Mundial de Aleitamento
Materno, celebrada de 1º a 7 de outubro. O evento marca as
comemorações da data no Estado, que detém a maior rede de bancos
de leite humano do País, com 48 unidades, sendo 13 estaduais,
informa a imprensa oficial do Estado.
"Estamos inaugurando a ampliação do nosso banco de leite, que
existia, mas em outro local e com menor capacidade", explica o
Dr. Ricardo Wady Gebrim, diretor do Hospital Interlagos.
Premiado pelo Unicef com o título de Hospital Amigo da Criança,
o hospital está aumentando a capacidade de coleta de 50 para 80
litros mensais e adequando seu banco de leite aos critérios de
qualificação do Ministério da Saúde. Para isso, conta com sala
de atendimento, sala de aula para atividades educativas e
treinamento, além de áreas específicas para a retirada e a
estocagem do leite, equipadas com três freezers , uma geladeira,
dois pasteurizadores, duas centrífugas, um microondas e um
resfriador.
Segundo a enfermeira responsável pelo banco, Eliane Aparecida
Melsol, esse equipamento possibilita a pasteurização,
esterilização e congelamento do leite materno (que tem validade
de até 6 meses). Garante, ainda, o controle de qualidade do
material recebido, por meio de testes químicos e físicos, e a
separação do alimento por valor calórico, para distribuir o
leite indicado à necessidade específica de cada bebê. ´Para
crianças que precisam ganhar peso, por exemplo, enviamos o leite
mais gordo, que é resultante do final do processo de ordenha´,
esclarece.
O
leite arrecadado no banco - uma média de 50 litros mensais - é
distribuído, na maior parte, para crianças internadas no próprio
hospital. São bebês que não sugam o peito da mãe por serem
prematuras, ou por causa de infecções da criança ou da mãe.
A
pediatra Luzia Elisa de Freitas, diretora-técnica da Divisão de
Saúde do HMI e responsável pela unidade neonatal, considera que
esse procedimento assegura um grande aumento no êxito dos
atendimentos. "A maior parte das doadoras tira leite para o
próprio filho, que não pode sugar. Assim, garante melhor
nutrição para o bebê e a continuidade da produção de leite", diz
a pediatra.
Orientação e doação - Os bancos de leite no Estado têm
capacidade para 150 mil litros, mas eles trabalham com um volume
de aproximadamente 20% desse total. Apesar disso, o diretor da
Maternidade Interlagos considera que a ampliação do banco de
leite representa um grande avanço para o hospital, como também
para a saúde neonatal de maneira geral. "A maioria das pessoas
pensa que o principal papel dos bancos de leite seja o da
doação. Não é só isso. Na verdade, ele cumpre o papel de
esclarecer e prestar apoio à amamentação", ressalta.
A
pediatra Luzia ilustra essa importância: "De nossos bebês
internados, 94% recebem alta com aleitamento materno exclusivo,
procedimento preconizado pela nossa equipe até o sexto mês de
vida". Há também a expectativa de dobrar a coleta no novo
espaço.
Tendo em vista uma boa preparação para o aleitamento, assim como
para o parto, o HMI inicia o atendimento à gestante
encaminhando-a para uma palestra multidisciplinar, na qual
recebe orientação nutricional, de saúde bucal, aleitamento,
parto e de planejamento domiciliar.
Além
da divulgação de informações no banco de leite e nas palestras,
a instituição assegura apoio e esclarecimentos sobre aleitamento
no ambulatório batizado de Junto ao Peito pela enfermeira
responsável, Rosane Oberderfer. O local é destinado à orientação
de mães com dificuldade para amamentação (principalmente as que
tiveram seu primeiro filho), adolescentes, de crianças com lábio
leporino, de gemelares e do método canguru (utilizado para
prematuros).
Além
de ensinar as técnicas de amamentação, Rosane inaugurou no local
uma galeria de fotos dos bebês que continuam, depois do sexto
mês, sendo alimentados ao seio. "Com a intenção de incentivar a
prática, passei a expor mensalmente as fotos e doá-las também
para as mães que seguem amamentando e continuam o acompanhamento
aqui. Muitas vezes as fotos que eu dou são as únicas que a
família tem do bebê", revela.
O
ambulatório Junto ao Peito, inaugurado em abril de 1996,
realizou mais de 14 mil atendimentos até o final de setembro.
Uma
questão de esclarecimento - Terminou no dia 7 a 12a. Semana
Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). Em todo o País, foram
desenvolvidas ações para divulgação da prática do aleitamento,
assim como em outros 120 países. A SMAM foi criada pela World
Alliance for Breastfeeding Action e tem sido comemorada desde
1992.
"O
sucesso da amamentação e a adesão das mães dependem apenas da
oferta de orientação e apoio", afirma a pediatra Maria José
Guardiã Mattar, coordenadora do maior banco de leite do Estado,
o do Hospital Leonor Mendes de Barros.
Segundo ela, "as vantagens do aleitamento, tanto para o bebê,
quanto para a mãe, são muitas e inquestionáveis, pois têm
comprovação científica". A médica credita à falta de atualização
dos profissionais da área e a diversos mitos o baixo índice de
crianças amamentadas ao peito. Na capital paulista, por exemplo,
dados da Secretaria Estadual de Saúde referentes a 1999 mostram
que apenas 25% dos bebês de até quatro meses eram alimentados
exclusivamente com leite materno. "O Brasil foi pioneiro na
criação dos bancos de leite, mas ainda convive com altas taxas
de mortalidade infantil. Por isso, precisamos cada vez mais
incentivar a prática do aleitamento materno", diz a pediatra.
Serviço:
Para obter informações e orientação, entre em contato com os
Centros de Referência:
Grande São Paulo:
Banco de Leite do Hospital Leonor Mendes de Barros
Telefone: (11) 6693-4736 e 6692-4188
Interior:
Banco de Leite do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto
Telefone: (16) 602-1220 e 610-2649
Saúde Business Web - 10/2003
www.trakhealth.com.br/con-noticia.asp?TRAKNoti=2059
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